Spellbound, de Carla Dias e Maria Ventura, propõe uma reflexão profunda sobre a maquinaria da felicidade na sociedade contemporânea, tecendo uma crítica incisiva ao modo como a felicidade se tornou um imperativo económico e, mais do que uma busca pessoal, se assumiu como uma ferramenta para manter uma força de trabalho produtiva.
Procurando consciencializar para a mudança desse paradigma, esta exposição mostra-nos vários modos como permanecemos, contudo, enfeitiçados por um ciclo vicioso de expectativas ilusórias e de uma constante busca por validação. É neste ponto de interseção entre desejo e desencanto que surge SPELLBOUND, explorando a forma como o capitalismo, a cultura digital e os discursos psiquiátricos moldam os nossos anseios, ansiedades e a própria noção de bem-estar.
A exposição reúne o trabalho de duas artistas de gerações distintas, mãe e filha, cujas práticas artísticas, embora distintas e independentes, se cruzam no questionamento destes temas através de linguagens visuais singulares.
Através do desenho e do bordado, Carla Dias apresenta representações do quotidiano que oscilam entre o autobiográfico e o satírico, o familiar e o inquietante, o exuberante e o enigmático. As suas obras convocam elementos da esfera doméstica — desde objetos associados ao cuidado e embelezamento do lar até cosméticos, fármacos para a ansiedade e a depressão, ou objectos ligados aos vícios do álcool e do tabaco —, colocando em evidência realidades que a sociedade frequentemente procura ocultar ou silenciar, por medo ou vergonha.
Por outro lado, Maria Ventura mergulha nas ansiedades da vida contemporânea expressas pela internet culture e pelas redes sociais, onde o real e o virtual se fundem numa simbiose por vezes indistinguível. A artista resgata mitografias contemporâneas — como o primeiro vídeo do YouTube ou a primeira imagem publicada no Instagram — para explorar a tensa interação entre realidade e ficção. Através deste processo, Maria Ventura traça uma breve história dos mecanismos de comunicação e mediação de imagens que hoje estruturam a nossa perceção coletiva e individual. Com ironia e humor, a artista reflete sobre essa subjetividade e questiona criticamente a construção da persona artística e da sua presença pública.
Em ambas as abordagens, há um caráter performativo latente, um paradoxo identitário no qual as fronteiras entre a artista e a sua vida pessoal se tornam difusas.
Procurando consciencializar para a mudança desse paradigma, esta exposição mostra-nos vários modos como permanecemos, contudo, enfeitiçados por um ciclo vicioso de expectativas ilusórias e de uma constante busca por validação. É neste ponto de interseção entre desejo e desencanto que surge SPELLBOUND, explorando a forma como o capitalismo, a cultura digital e os discursos psiquiátricos moldam os nossos anseios, ansiedades e a própria noção de bem-estar.
A exposição reúne o trabalho de duas artistas de gerações distintas, mãe e filha, cujas práticas artísticas, embora distintas e independentes, se cruzam no questionamento destes temas através de linguagens visuais singulares.
Através do desenho e do bordado, Carla Dias apresenta representações do quotidiano que oscilam entre o autobiográfico e o satírico, o familiar e o inquietante, o exuberante e o enigmático. As suas obras convocam elementos da esfera doméstica — desde objetos associados ao cuidado e embelezamento do lar até cosméticos, fármacos para a ansiedade e a depressão, ou objectos ligados aos vícios do álcool e do tabaco —, colocando em evidência realidades que a sociedade frequentemente procura ocultar ou silenciar, por medo ou vergonha.
Por outro lado, Maria Ventura mergulha nas ansiedades da vida contemporânea expressas pela internet culture e pelas redes sociais, onde o real e o virtual se fundem numa simbiose por vezes indistinguível. A artista resgata mitografias contemporâneas — como o primeiro vídeo do YouTube ou a primeira imagem publicada no Instagram — para explorar a tensa interação entre realidade e ficção. Através deste processo, Maria Ventura traça uma breve história dos mecanismos de comunicação e mediação de imagens que hoje estruturam a nossa perceção coletiva e individual. Com ironia e humor, a artista reflete sobre essa subjetividade e questiona criticamente a construção da persona artística e da sua presença pública.
Em ambas as abordagens, há um caráter performativo latente, um paradoxo identitário no qual as fronteiras entre a artista e a sua vida pessoal se tornam difusas.
David Revés & Nicolai Sarbib
CARLA DIAS (1972, Moçambique)
Nascida em Moçambique em 1972, vive e trabalha no Cartaxo. Dedicou-se às artes plásticas de forma autodidata desde tenra idade. A pintura, o desenho, o têxtil, a cerâmica artística e a instalação têm estado presentes na sua vida nas últimas décadas e determinam um importante veículo da sua expressão individual, refletindo o íntimo e o coletivo através de uma exploração e experimentação transversal às diferentes plasticidades. A arte como instrumento de proliferação disruptiva de ativismo crítico ocupa em si um espaço que se quer reflexivo e de consciencialização generalizada.
MARIA VENTURA (1995, Cartaxo)
Vive e trabalha em Lisboa. Licenciada em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas- Artes de Lisboa. O trabalho de Maria explora temas relacionados com identidade, cultura digital e consumismo. A sua prática abrange vídeo, instalação e performance. Mantem uma presença constante nas redes sociais, através da partilha de conteúdos que investigam a delineação da identidade online, enquanto fornece um substrato imagético acessível universalmente. A artista aproveita o impacto social e existencial da tecnologia na vida contemporânea para manter um registo atualizado sobre os temas de uma sociedade generalizada. Manifesta fascínio pela facilidade com que podemos manipular virtualmente uma verdade escolhida, mediante a criação de cenários hipotéticos, com possibilidades infinitas e arbitrárias, usando elementos práticos e tangíveis à realidade. Criou e expôs as obras de vídeo People Holding Fish (Mostly White Middle-aged Men) (Desterro, 2019) e Girls On Rails (Médio Porte, https://medioporte.zinecanito.com, 2022). Co-criou e apresentou uma instalação de vídeo em Águasmil (exposta na segunda edição de Arte Larga em Olhão, 2023).
Nascida em Moçambique em 1972, vive e trabalha no Cartaxo. Dedicou-se às artes plásticas de forma autodidata desde tenra idade. A pintura, o desenho, o têxtil, a cerâmica artística e a instalação têm estado presentes na sua vida nas últimas décadas e determinam um importante veículo da sua expressão individual, refletindo o íntimo e o coletivo através de uma exploração e experimentação transversal às diferentes plasticidades. A arte como instrumento de proliferação disruptiva de ativismo crítico ocupa em si um espaço que se quer reflexivo e de consciencialização generalizada.
MARIA VENTURA (1995, Cartaxo)
Vive e trabalha em Lisboa. Licenciada em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas- Artes de Lisboa. O trabalho de Maria explora temas relacionados com identidade, cultura digital e consumismo. A sua prática abrange vídeo, instalação e performance. Mantem uma presença constante nas redes sociais, através da partilha de conteúdos que investigam a delineação da identidade online, enquanto fornece um substrato imagético acessível universalmente. A artista aproveita o impacto social e existencial da tecnologia na vida contemporânea para manter um registo atualizado sobre os temas de uma sociedade generalizada. Manifesta fascínio pela facilidade com que podemos manipular virtualmente uma verdade escolhida, mediante a criação de cenários hipotéticos, com possibilidades infinitas e arbitrárias, usando elementos práticos e tangíveis à realidade. Criou e expôs as obras de vídeo People Holding Fish (Mostly White Middle-aged Men) (Desterro, 2019) e Girls On Rails (Médio Porte, https://medioporte.zinecanito.com, 2022). Co-criou e apresentou uma instalação de vídeo em Águasmil (exposta na segunda edição de Arte Larga em Olhão, 2023).
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