Know who you are at every age
CATARINA REAL, LUCREZIA BRACCI, MARIA MARQUES MODERNO,
MARIA MIGUEL CAFÉ, MARIANA MALHEIRO
CATARINA REAL, LUCREZIA BRACCI, MARIA MARQUES MODERNO,
MARIA MIGUEL CAFÉ, MARIANA MALHEIRO
17 Mai — 05 Jul 2025
Curadoria: Nicolai Sarbib
Em Know Who You Are At Every Age, cinco artistas entrelaçam os fios da experiência interior com o mundo exterior. De diários a sonhos e rituais tanto pessoais quanto colectivos, a diversidade de práticas na exposição reúne reflexões íntimas. O título, emprestado do álbum Four-Calendar Café dos Cocteau Twins, surge não apenas como um convite discreto ao auto-reconhecimento e ao cuidado, mas também para considerar o estranhamento e as mudanças incessantes de como nos relacionamos uns com os outros.
No centro desta exposição está uma tensão crescente, o paradoxo da hiperconectividade contemporânea. Numa era em que experiências pessoais são constantemente transmitidas, reduzidas a pixeis, gostos e métricas, a intimidade real e disponibilidade emocional parecem cada vez mais evasivas. As obras aqui apresentadas não pretendem resolver essa contradição. Pelo contrário, habitam-na, expondo as fronteiras difusas entre o eu e o que o rodeia, entre a solidão e a sociabilidade, a exposição e a invisibilidade.
Em O Mito de Sísifo, Albert Camus descreve o momento em que “o absurdo” se revela, não através de uma grande catástrofe, mas no colapso silencioso do sentido, quando as rotinas do quotidiano perdem a sua coerência e o mundo nos aparece, subitamente, estranho e incompreensível. Essas meditações sobre a alienação ecoam nesta exposição, não como conclusões sombrias, mas como pontos de partida para uma investigação sobre o significado e a identidade. As artistas oferecem vislumbres de territórios emocionais moldados pelo desejo, pela incerteza e por uma resiliência íntima. Estas obras não são confissões, mas fragmentos, observações que resistem ao encerramento ou à catarse fácil.
Apesar de uma certa corrente melancólica, há leveza nas obras, uma delicadeza no tom, um humor irónico ou um charme estranho que evocam uma sinceridade que nos é pouco habitual. Estas são obras que reconhecem a vulnerabilidade como uma postura estética e política, e não apenas como um tema.
Numa sociedade que recompensa a intimidade apenas como performance, cuidar (de si, dos outros, do fazer) torna-se um acto radical. As artistas aqui presentes praticam esse cuidado nos seus gestos, partilham sem sobre-expor, constroem mundos sem reivindicar universalidade. Convidam-nos não apenas a olhar, mas a permanecer, a estar com o desconforto, com o inacabado, com o emocionalmente carregado.
Na justaposição de meios e perspectivas, Know Who You Are At Every Age transforma-se numa pequena constelação de verdades subjectivas. Estas são histórias contadas não por grandes gestos, mas pelas margens, nos rabiscos, nos olhares, nas imagens, na documentação e nos mundos imaginários. E, ao fazê-lo, a exposição oferece um contraponto ao espectáculo da identidade, propondo antes uma cartografia introspectiva do sentir, um espaço onde mitologias pessoais se desenrolam e nos convidam a partilhar.
No centro desta exposição está uma tensão crescente, o paradoxo da hiperconectividade contemporânea. Numa era em que experiências pessoais são constantemente transmitidas, reduzidas a pixeis, gostos e métricas, a intimidade real e disponibilidade emocional parecem cada vez mais evasivas. As obras aqui apresentadas não pretendem resolver essa contradição. Pelo contrário, habitam-na, expondo as fronteiras difusas entre o eu e o que o rodeia, entre a solidão e a sociabilidade, a exposição e a invisibilidade.
Em O Mito de Sísifo, Albert Camus descreve o momento em que “o absurdo” se revela, não através de uma grande catástrofe, mas no colapso silencioso do sentido, quando as rotinas do quotidiano perdem a sua coerência e o mundo nos aparece, subitamente, estranho e incompreensível. Essas meditações sobre a alienação ecoam nesta exposição, não como conclusões sombrias, mas como pontos de partida para uma investigação sobre o significado e a identidade. As artistas oferecem vislumbres de territórios emocionais moldados pelo desejo, pela incerteza e por uma resiliência íntima. Estas obras não são confissões, mas fragmentos, observações que resistem ao encerramento ou à catarse fácil.
Apesar de uma certa corrente melancólica, há leveza nas obras, uma delicadeza no tom, um humor irónico ou um charme estranho que evocam uma sinceridade que nos é pouco habitual. Estas são obras que reconhecem a vulnerabilidade como uma postura estética e política, e não apenas como um tema.
Numa sociedade que recompensa a intimidade apenas como performance, cuidar (de si, dos outros, do fazer) torna-se um acto radical. As artistas aqui presentes praticam esse cuidado nos seus gestos, partilham sem sobre-expor, constroem mundos sem reivindicar universalidade. Convidam-nos não apenas a olhar, mas a permanecer, a estar com o desconforto, com o inacabado, com o emocionalmente carregado.
Na justaposição de meios e perspectivas, Know Who You Are At Every Age transforma-se numa pequena constelação de verdades subjectivas. Estas são histórias contadas não por grandes gestos, mas pelas margens, nos rabiscos, nos olhares, nas imagens, na documentação e nos mundos imaginários. E, ao fazê-lo, a exposição oferece um contraponto ao espectáculo da identidade, propondo antes uma cartografia introspectiva do sentir, um espaço onde mitologias pessoais se desenrolam e nos convidam a partilhar.
Nicolai Sarbib
CATARINA REAL (1992, Barcelos)
Trabalha na intersecção entre a prática artística e a investigação teórica nos campos expandidos da pintura, escrita e coreografia, maioritariamente em projectos colaborativos de longa duração, que se debruçam sobre o questionamento de como podemos viver melhor colectivamente.Mantém uma prática de comentário - nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas - às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação colectiva e comunitária. É vice-presidente da associação francesa Artistes en Résidence desde 2019 e editora em Edições da Ruína desde 2022. Apresentou publicamente o seu trabalho em instituições tais como Teatro Municipal do Campo Alegre, Galeria Municipal do Porto, Museu Amadeo de Souza-Cardoso, etc.; espaços independentes tais como Rua do Sol, Campanice, Graciosa, Laboratório das Artes, Sol Pele, etc.; e galerias como Kubik Gallery, Galeria Madragoa, No.no Gallery e Galeria Graça Brandão. Realizou residências no Espaço do Tempo, Gnration, Appleton Square, Fórum Dança, Residency Unlimited, Flux Factory, Artistes en Résidence, etc.
LUCREZIA BRACCI (1997, Roma)
Lucrezia Bracci é uma artista italiana que vive e trabalha em Lisboa. O seu trabalho explora metafisicamente a natureza humana, o movimento e a percepção. Com formação em Belas-Artes pela Bath School of Art and Design, desenvolveu uma prática escultórica que investiga a relação simbiótica entre o corpo humano e as forças invisíveis que moldam as nossas realidades físicas e espirituais. Lucrezia expôs em Lisboa e no Estoril, incluindo na Lx Lapa e no Creative Hub Beato, tendo obras em coleções privadas em Lisboa, Porto e Roma.
Trabalha na intersecção entre a prática artística e a investigação teórica nos campos expandidos da pintura, escrita e coreografia, maioritariamente em projectos colaborativos de longa duração, que se debruçam sobre o questionamento de como podemos viver melhor colectivamente.Mantém uma prática de comentário - nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas - às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação colectiva e comunitária. É vice-presidente da associação francesa Artistes en Résidence desde 2019 e editora em Edições da Ruína desde 2022. Apresentou publicamente o seu trabalho em instituições tais como Teatro Municipal do Campo Alegre, Galeria Municipal do Porto, Museu Amadeo de Souza-Cardoso, etc.; espaços independentes tais como Rua do Sol, Campanice, Graciosa, Laboratório das Artes, Sol Pele, etc.; e galerias como Kubik Gallery, Galeria Madragoa, No.no Gallery e Galeria Graça Brandão. Realizou residências no Espaço do Tempo, Gnration, Appleton Square, Fórum Dança, Residency Unlimited, Flux Factory, Artistes en Résidence, etc.
LUCREZIA BRACCI (1997, Roma)
Lucrezia Bracci é uma artista italiana que vive e trabalha em Lisboa. O seu trabalho explora metafisicamente a natureza humana, o movimento e a percepção. Com formação em Belas-Artes pela Bath School of Art and Design, desenvolveu uma prática escultórica que investiga a relação simbiótica entre o corpo humano e as forças invisíveis que moldam as nossas realidades físicas e espirituais. Lucrezia expôs em Lisboa e no Estoril, incluindo na Lx Lapa e no Creative Hub Beato, tendo obras em coleções privadas em Lisboa, Porto e Roma.
MARIA MARQUES MODERNO (2003, Portimão)
Maria Moderno é uma artista multidisciplinar que vive actualmente em Lisboa. Concluiu a Licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa em 2024. Frequentou um semestre na École Supérieure des Arts Saint-Luc Liège, Bélgica, através do programa de mobilidade da Universidade de Lisboa. O seu trabalho foca-se em temas como o luto, a memória, a morte e o amor. Através do campo expandido da escultura desenvolve peças com recurso aos mais diversos materiais, criando ambientes de uma plasticidade intimista.
Maria Moderno é uma artista multidisciplinar que vive actualmente em Lisboa. Concluiu a Licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa em 2024. Frequentou um semestre na École Supérieure des Arts Saint-Luc Liège, Bélgica, através do programa de mobilidade da Universidade de Lisboa. O seu trabalho foca-se em temas como o luto, a memória, a morte e o amor. Através do campo expandido da escultura desenvolve peças com recurso aos mais diversos materiais, criando ambientes de uma plasticidade intimista.
MARIA MIGUEL CAFÉ
Maria Miguel Café é uma artista multidisciplinar e web designer residente em Lisboa, cujo trabalho se centra na memória, arquivo e identidade, explorando suportes como performance, instalação e vídeo. Licenciada em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, frequentou o Mestrado em Estética e Estudos Artísticos na Universidade Nova de Lisboa concluiu recentemente uma pós-graduação em Web UI/UX no IADE. Expôs na exposição “Temporary Zone” na Fundação CGD e na Casa das Histórias Paula Rego.
MARIANA MALHEIRO (1995, Lisboa)
Trabalhando essencialmente com o desenho e a pintura a óleo, Mariana Malheiro (1995) desenvolve obras cujas narrativas se debruçam sobre relações humanas e convenções sociais, onde são frequentemente representados momentos de comunhão e lazer, tendo a figura feminina como protagonista. Estudou pintura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa na Kunsthochschule Kassel (Alemanha). Conta com exposições individuais no Espaço Cultural Mercês (2024), na Casa do Comum (2024) e na Rua das Gaivotas 6 (2022). Participou em exposições coletivas em L’appartment 49c em Nova Iorque, na Galeria Monitor (2024) Sociedade Nacional de Belas-Artes (2024), Brotéria (2023) em Lisboa, no Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas (2022) Açores , Galeria Alga (2021) Lagos, Galeria Valbom (2019), Pavilhão 31 do C.H.P. Júlio de Matos (2017) em Lisboa, entre outros. O seu trabalho já foi incluindo em publicações como Umbigo Magazine 88, DOSE 11, e Portuguese Emerging Artists 2023. Participou em 2024 na residência artística Kunstraum LLC em Nova Iorque, com o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. O seu trabalho está representado na coleção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e em coleções privadas em Portugal, Estados Unidos e Brasil.