ESCONDER
( es·con·der ) Ocultar ou ocultar-se para não ser achado ou visto.
Quando era criança construía tendas no meu quarto. Lençóis presos por molas em cadeiras e estantes, almofadas que roubava de outras partes da casa. Recheava o seu interior com os meus peluches preferidos e pedia aos meus pais para me deixarem dormir lá dentro. A dada altura deixaram-me ter uma pequena televisão no quarto e via filmes de dentro da tenda. Isto era a minha ideia de acampar, uma espécie de abrigo do mundo exterior, um esconderijo onde as luzes do ecrã encadeavam as cores dos lençois, onde podia criar mundos e sentir a liberdade de ter o meu próprio espaço, uma forma de independência imaginativa.
A necessidade de escape é algo que perdura. A imaginação e autonomia, espaços livres e abrigos onde possamos impulsionar a imaginação e sentir liberdade para criar são refúgios onde podemos ensaiar novas formas de pensar e de organização que permitam desenvolver alternativas às relações de domínio e alienação resultantes das dinâmicas sociais e culturais sob as quais vivemos.
A convite da Salto o colectivo Dobra apresenta o 5º ciclo do colectivo sob o titulo, “Esconder”.
A Dobra enquanto colectivo nasce também da procura de um “abrigo”. A amizade como resistência que se opõe a mecanismos institucionalizados de criação, que possibilita a procura de autonomia, um campo livre e comunitário que conquista o seu próprio espaço para explorar e experimentar desafiando-se à criação em conjunto, sem preconceitos, sem pressão, sem obrigações, sem critérios, lógicas de mercado e sem medo.
A ideia de formar o grupo surgiu entre amigos após o final da Escola de Cinema, como alternativa possível a um percurso individual separado, como necessidade e de entreajuda, colaboração e continuação destas relações de amizade através do cinema. Pensaram assim uma forma de fazerem todos e todas filmes individuais sob o mesmo mote, criando a possibilidade deste se desdobrar numa diversidade de leituras que cada um desejasse, sem estrutura fixa, estabelecendo apenas uma duração mínima e máxima para cada filme e montando-se cada uma destas abordagens num trabalho colectivo que se materializa como um cadáver esquisito cinematográfico. A primeira destas experiências começou precisamente com o tema “Dobra”, que daria o nome ao colectivo. Desde então têm-se desenvolvido como ciclos, tendo-se seguido com outros temas como “Roda” no segundo, o terceiro ciclo intitulado “Sobra” e um especial de natal de filmes de 1 minuto. Em cada um destes ciclos, e de forma a que se mantenha como uma estrutura aberta, a Dobra tem convidado mais amigos e amigas a participar na realização de filmes ou no alinhamento final.
Na primeira sessão, dia 6 de Julho, o colectivo apresenta o “Esconder” com os filmes dos membros da Dobra, Afonso Mota, Camila Vale, Flávio Gonçalves, Lourenço Crespo, João Sem Medo, Madalena Fragoso, Marcelo Tavares, Pedro Cabral, Sreya, Tatiana Ramos e com o convidado especial João Martinho. Na segunda sessão, dia 13 de Julho, apresentamos uma selecção de curtas escolhidas pelos membros do colectivo.
( es·con·der ) Ocultar ou ocultar-se para não ser achado ou visto.
Quando era criança construía tendas no meu quarto. Lençóis presos por molas em cadeiras e estantes, almofadas que roubava de outras partes da casa. Recheava o seu interior com os meus peluches preferidos e pedia aos meus pais para me deixarem dormir lá dentro. A dada altura deixaram-me ter uma pequena televisão no quarto e via filmes de dentro da tenda. Isto era a minha ideia de acampar, uma espécie de abrigo do mundo exterior, um esconderijo onde as luzes do ecrã encadeavam as cores dos lençois, onde podia criar mundos e sentir a liberdade de ter o meu próprio espaço, uma forma de independência imaginativa.
A necessidade de escape é algo que perdura. A imaginação e autonomia, espaços livres e abrigos onde possamos impulsionar a imaginação e sentir liberdade para criar são refúgios onde podemos ensaiar novas formas de pensar e de organização que permitam desenvolver alternativas às relações de domínio e alienação resultantes das dinâmicas sociais e culturais sob as quais vivemos.
A convite da Salto o colectivo Dobra apresenta o 5º ciclo do colectivo sob o titulo, “Esconder”.
A Dobra enquanto colectivo nasce também da procura de um “abrigo”. A amizade como resistência que se opõe a mecanismos institucionalizados de criação, que possibilita a procura de autonomia, um campo livre e comunitário que conquista o seu próprio espaço para explorar e experimentar desafiando-se à criação em conjunto, sem preconceitos, sem pressão, sem obrigações, sem critérios, lógicas de mercado e sem medo.
A ideia de formar o grupo surgiu entre amigos após o final da Escola de Cinema, como alternativa possível a um percurso individual separado, como necessidade e de entreajuda, colaboração e continuação destas relações de amizade através do cinema. Pensaram assim uma forma de fazerem todos e todas filmes individuais sob o mesmo mote, criando a possibilidade deste se desdobrar numa diversidade de leituras que cada um desejasse, sem estrutura fixa, estabelecendo apenas uma duração mínima e máxima para cada filme e montando-se cada uma destas abordagens num trabalho colectivo que se materializa como um cadáver esquisito cinematográfico. A primeira destas experiências começou precisamente com o tema “Dobra”, que daria o nome ao colectivo. Desde então têm-se desenvolvido como ciclos, tendo-se seguido com outros temas como “Roda” no segundo, o terceiro ciclo intitulado “Sobra” e um especial de natal de filmes de 1 minuto. Em cada um destes ciclos, e de forma a que se mantenha como uma estrutura aberta, a Dobra tem convidado mais amigos e amigas a participar na realização de filmes ou no alinhamento final.
Na primeira sessão, dia 6 de Julho, o colectivo apresenta o “Esconder” com os filmes dos membros da Dobra, Afonso Mota, Camila Vale, Flávio Gonçalves, Lourenço Crespo, João Sem Medo, Madalena Fragoso, Marcelo Tavares, Pedro Cabral, Sreya, Tatiana Ramos e com o convidado especial João Martinho. Na segunda sessão, dia 13 de Julho, apresentamos uma selecção de curtas escolhidas pelos membros do colectivo.
Nicolai Sarbib